terça-feira, 1 de maio de 2018

DENPHAL- Parece phalaenopsis mas não é!



    Denphal é uma espécie de orquídea hibrida pertencente ao gênero Dendrobium que foi desenvolvida através de cruzamentos entre espécies do próprio gênero Dendrobium. 
Ao contrario do que muitos achavam essa nova "espécie" na verdade é um hibrido e não foi desenvolvida usando o gênero Phalaenopsis!  O que talvez possa causar duvida a esse respeito é a forma de suas flores que são muito semelhantes com as do gênero Phalaenopsis, inclusive na durabilidade delas abertas que passa fácil de um mês, mas para sanar qualquer duvida temos uma explicação mais cientifica para tanta semelhança:
Tanto o gênero Dendrobium como o gênero Phalaenopsis reunem espécies de orquídea que, apesar de terem características diferentes na parte fisiológica impedindo inclusive uma hibridação, se originam nos mesmos continentes e nas mesmas florestas tornando essa semelhança das suas flores necessária em virtude da necessidade de ser polinizada por insetos que vivem nesses ambientes e a forma da flor importa muito para poder chamar a atenção e conseguir atrair esses insetos.
Eu explico mais sobre a relação das flores com os insetos em um outro texto deste blog: "A ciencia estrategica das flores- A tecnologia a serviço da vida".

Isso com certeza ajuda a justificar a semelhança floral, não só dessas duas espécies, como também a semelhança floral de outras espécies de orquídeas asiáticas.
Os produtores de orquídeas que comercializam o gênero Denphal fizeram foi observar as semelhanças que existem tanto na forma como na quantidade de flores e durabilidade delas abertas, para então decidir usar esses dendrobiuns em cruzamentos para o mercado comercial de plantas ornamentais.

Dendrobium é um dos mega gêneros dentro do mundo das orquídeas com mais de 1200 espécies diferentes divididas em grupos/seções para que possibilite diferenciar as características diferentes entre as espécies de dendrobium além daquelas que normalmente são comuns a todas as espécies de gênero Dendrobium.
Entre os grupos/seções do gênero Dendrobium, o que deu origem aos Denphals foi a seção Phalaenanthe que agrupa três espécies conhecidas de Dendrobium. São eles: Dendrobium affine, Dendrobium leeanum e o Dendrobium bigibbum. 
A espécie Dendrobium bigibbum é a espécie que deu origem a maioria dos hibridos. É conhecida popularmente no país de origem por Dendrobium phalaenopsis, dando origem ao nome Denphal que é sua abreviatura, tornando-se o nome mais conhecido aqui no Brasil das pessoas que gostam e colecionam essas plantas.
Dentro do genero Dendrobium, a seção Phalaenanthe está intimamente próximo a seção Spatulata, com a qual se hibrida facilmente nos habitats naturais, o que poderia dar inicio a um estudo para reunir os dois grupos num só, pois uma quarta espécie que antes pertencia ao grupo Phalaenanthe, o Dendrobium williamsianum, foi separada e incluída no grupo Spatulata. Através desses cruzamentos entre espécie e entre hibridos e espécies ao longo de anos e anos possibilitou o surgimentos de centenas e centenas de plantas com as mesmas características vegetais nos bulbos folhas e raizes, mas com uma grande variedade de cores nas suas flores!
 Esclarecendo as duvidas principais das pessoas, os Denphals são orquídeas híbridas de cruzamentos entre espécies do gênero Dendrobium, que são orquídeas do continente asiático, mais especificamente da Ásia tropical e subtropical, estendendo-se por Nova Guiné, Bornéu, Filipinas, Austrália, e Nova Zelândia, que são países que possuem o clima muito semelhante ao Brasil, pelo menos no sol e na temperatura tropical, um dos segredos da facilidade de cultivo. 

Na parte vegetal as características das plantas são iguais em relação a todos os híbridos. São plantas com pseudobulbos altos, podendo chegar até a um metro de altura dependendo da planta, grossos e com folhas persistentes, isto é, folhas que se mantem por anos antes de caírem, diferente do dendrobium nobile(conhecido como olho de boneca, que derruba as folhas antes da floração). 

Seus bulbos também possuem a capacidade de emitir brotos(os brotos são chamados de keikis, que após a emissão de raízes pode ser destacados e replantados formando novas plantas!). 
Alem da durabilidade das flores e da resistência ao clima tropical aqui do Brasil, os Denphals são orquídeas que emitem flores de pétalas e sépalas arredondadas podendo ser bem redondas ou em forma de gotas.
As flores costuma sair do ápice do pseudobulbo em hastes florais finas com muitos botões que abrem sucessivamente e que podem durar semanas e semanas abertas, passando fácil de um mês se bem cultivados. Pode emitir mais de uma haste por bulbo e eu já vi plantas com três e quatro hastes em um único bulbo, sendo simplesmente um cetro de flores como essa planta da foto ao lado que emitiu 3 hastes em um único bulbo e mais hastes nos outros dois bulbos floridos. Num único vaso eu tenho sete hastes florais!!! É muito mais do que eu esperava, achei magnifico!
 Alem disso possuem a capacidade de 
repetir a floração no mesmo pseudobulbo que já floriu, por isso não devem ser descartados mesmo se já estiverem sem folhas porque também servem como reserva nutricional da planta. No cultivo ideal onde a luz, umidade e adubação estão condizente com suas necessidades os Denphals vegetam o ano inteiro ficando pouquíssimo tempo em dormência que as vezes nem é percebida.
Pode ser dividido sempre que tiver pelo menos 3 bulbos folhados para garantir uma reserva minima para formar um novo vaso e florir nos anos seguintes. No replantio são exigentes como qualquer dendrobium e precisam ser bem fixados no novo vaso para facilitar a adaptação. Usualmente o substrato mais usado pelos produtores é um misto de casca de pinus, carvão vegetal e chips de coco, mas como os Denphals são exigentes com a aeração quando adquiro uma nova planta acabo substituindo o chips de coco por pedrisco de rio dando maior aeração para as raízes crescerem alem de fixar melhor a planta que ajuda a adaptação dela no novo substrato.
No cultivo domestico os Denphals podem vegetar até a sol pleno mas tanto a umidade ambiente, como as regas e adubações devem acompanhar na mesma intensidade para promover o equilíbrio no cultivo minimizando as oscilações bruscas de temperatura e falta de umidade comuns numa casa, bem diferente de uma estufa profissional de um orquidário onde as regas são mais espaçadas devido ao ambiente mais equilibrado.
Para quem é iniciante nesse vasto mundo das orquideas, os Denphals são excelentes plantas para se ter e colecionar em casa devido a sua grande rusticidade no cultivo, sua beleza nas cores e formatos das flores e durabilidade deixando o local muito mais agradável e colorido! 
Eu coleciono Denphals a bastante tempo e sempre me surpreendo com sua beleza simples e porte imponente. Um grande abraço a todos e bom cultivo!




            Agora o que não podia faltar!!! Dicas para cultivar Denphals com qualidade em sua casa:

As plantas dessa espécie tem folhas persistentes por alguns anos mas, podem perder as folhas mais facilmente se expostas a condições severas de luz e calor intenso. Para se ter um bom cultivo as temperaturas devem ser quentes o ano inteiro, mas com noites frescas. A rega e adubação devem ser constantes durante a emissão de novas raízes e novos brotos para que se desenvolva o melhor possível para suportar a floração. Lembre-se que um único bulbo de Denphal pode sustentar mais de duas hastes florais ao mesmo tempo, mas para isso devem ter um ótimo desenvolvimento durante a fase de brotação! 
A luz ideal é de 50% onde pode ser instalado um sombrite para ajudar. A época de floração dos Denphals no meu cultivo domestico costuma ser no fim do verão, mas em estufas a floração pode ser controlada o que faz com que floresçam para ser vendidos em qualquer época do ano. O que devemos sempre observar e estar atentos que mesmo sem saber ao certo a época de floração da espécie podemos seguir a regra das fases da planta: brotação e maturação do bulbos, pre-floração e floração, frutificação(quando as flores são polinizadas) e dormência( nos Denphals quase nem é notada dependendo da região de cultivo)
A floração dos Denphals acontece mais fácil quando existe oscilação das temperaturas entre o dia e a noite, por isso cultivar em regiões onde até as noites são quentes a floração pode ser mais demorada, mas nada como uma boa adubação para ajudar nessa parte.
Abaixo vou deixar o endereço da agrooceanica, que fabrica os fertilizantes da linha AMINOPEIXE que utilizo há mais de 5 anos com muito sucesso pois sua formulação é bem mais completa do que a maioria dos adubos do mercado. Alem disso a absorção pela planta é imediata apos a aplicação o  que torna a taxa de absorção e utilização dos nutrientes muito maior. 

Se você ainda não aduba suas plantas ou não anda satisfeito com o seu adubo experimente acrescentar AMINOPEIXE na sua adubação. Os compostos orgânicos presentes no fertilizante melhoram a capacidade da planta em vegetar e absorver nutrientes melhorando a absorção do adubo que você já usa. Alem disso supre a carência de microelementos que normalmente faltam nas adubações caseiras por falta de opção. Usar AMINOPEIXE pode tornar muito mais pratico o seu cultivo, dando a qualidade de um cultivo profissional!!! 
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quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

RESSUPINAÇÃO FLORAL- O balé das flores




Cattleya Walkeriana Tipo
Sabe quando aquela orquídea linda que compramos ainda com a espata floral preparando os botões de flores?
 E depois levamos para casa e ansiosamente esperamos as flores se abrirem lindas, iguais as que vemos certinhas abertas lado a lado?
E ai quando abrem você percebe que estão tortas, de lado ou de cabeça para baixo!
Bom se você já viu isso  acontecer f
icou se perguntando o que pode ter acontecido, pois sempre que vemos uma orquídea em uma exposição ou a venda ela esta impecável, linda e com as flores abertas corretamente! 
Normalmente a grande maioria das espécies de orquídeas, para fazer isso acontecer, precisam realizar corretamente um movimento com os botões assim que saem para fora da espata floral. Esse movimento pode ser comparável a movimentos do "balé", ou de uma acrobacia que chamamos na orquidofilia de ressupinação floral. 

1-Botões começando a girar
2-Flor abrindo corretamente.
Planta: Potinara Hoku Gem
Esse movimento de ressupinação é um giro em torno de 180 graus da posição inicial do botão apos sair da espata floral, ficando invertido em relação a posição natural onde se inicia o processo de formação dos botões. Apos a torção do pecíolo(cabinho que segura o botão floral), a pétala dorsal da flor, que chamamos de labelo, deve ficar na posição ventral para servir de pouso para o polinizador. Esse movimento dos botões florais garante que quando se abrirem todas as flores estejam na posição correta. Geralmente o labelo da flor é a parte que mais chama a atenção pelas cores e por esse motivo é possível acreditar que é dessa forma exatamente para facilitar a vida do polinizador.

 
Nesse texto eu selecionei e fotografei três exemplos de ressupinação dos botões florais para um maior entendimento de todo o processo. 
Agora o mais interessante saber é como a planta sabe a posição correta na hora de posicionar os botões antes de se abrirem? 
Sem olhos fica difícil não é mesmo?
1-Botões saindo da espata
2-Agora fazendo o giro
 Para uma orquídea não é não, porque para fazer o giro ela se utiliza da posição do Sol como orientação. As plantas de uma forma geral dependem do Sol para absorverem a energia solar para fazer a fotossíntese e por esse motivo sempre vão acompanhar o seu movimento. Se houver uma mudança brusca de posição da planta ela precisará alterar toda a recepção de luz novamente para poder orientar seu crescimento.   
Uma planta não escolhe onde vai germinar, basicamente isso depende de outros fatores como o vento que carrega as sementes e as leva para longe. Mas uma vez germinada a planta começa a crescer e evoluir, pois toda a sua parte vegetal de cor verde, bulbos e folhas absorvem a energia solar para esse fim e por esse motivo sabem onde o sol nasce e onde ele se põe.
No cultivo em nossas casas não deve ser diferente. Devemos antes de mais nada primeiro estabelecer um critério para escolher o local para colocar as orquídeas,  porque assim elas vão se beneficiar e vegetar com qualidade conseguindo se adaptar ao ambiente. Quando a planta emitir um novo broto, este estará na melhor posição em relação a exposição a luz do sol, para que alem de conseguir um crescimento pleno possa também florir com abundancia! 
Talvez você não saiba disso, mas uma orquídea com certeza sabe...

3- inicio da abertura na posição
correta.
4- Abertura quase completa da
Cattleya Memoria Robert Strait.
Os botões   quando saem de dentro da espata floral se orientam pelo Sol para abrirem na posição correta. 
Este é um processo fisiológico que faz parte da complexidade de uma orquídea e faz parte de suas necessidades e adaptações para propagar a espécie. Sem luz ,sem fotossíntese,  e sem flor também... Isso resume a necessidade que uma orquídea tem da luz.
O melhor cultivo sempre deverá tenta equilibrar esses três fatores principais do ambiente: luz, umidade e ventilação. 
Quando se cultiva em casa devemos ter sempre em mente isso para usar da criatividade na criação do local onde vai cultivar suas orquídeas.
Então agora que você sabe o que é ressupinação, agora precisa saber como pode ajudar a sua planta a conseguir fazer o giro direitinho para que a flor fique a posição correta!

Bom, de inicio vamos entender um fato:
Uma orquídea normalmente não se movimenta, nem troca de lugar!
Em meio natural ela nasce em um local, geralmente uma arvore, e lá permanece por tempo indeterminado pois elas são perenes, então seu crescimento é direcionado e a floração também, sempre na mesma direção como se "buscasse" o sol . Já no cultivo comercial as plantas são cultivadas também em locais praticamente fixos, com poucas mudanças de temperatura, iluminação, umidade ao longo das fases do seu crescimento. E isso também garante que a planta regule seu crescimento usando a posição do sol para brotar e também para florir. Dentre todas as espécies de orquídeas do mundo existem as que não ressupinam como as catasetineas, Zygopetalum, entre outras, e nem seguem o mesmo padrão da maioria por isso é imprescindível saber o máximo de informações sobre a espécie que se tem para facilitar o cultivo.
Na nossa casa o cultivo deve seguir a mesma característica de manter a planta em um local fixo, seja numa bancada ou pendurada para que consiga orientar seu crescimento e sua floração.  Isso também evita o estresse da planta, pois sendo dependente do sol, mudar ela de local sem conhecer as fases da planta, sem critério e observação podemos causar dificuldades no cultivo e no caso da floração pode causar uma abertura errada da flor deixando-a de lado ou de cabeça para baixo.
Quando se inicia o processo de floração, a planta vai se orienta pela posição dela em relação ao sol e por esse motivo seria a hora menos indicada para alterar o local da planta. Mas se isso for realmente necessário deverá ser feito antes que os botões saiam da espata pois é nesse momento que se inicia o giro. 
No caso de adquirir uma planta prestes a florir mas com os botões ainda dentro da espata floral, devemos sempre ter em mente que a posição da frente da planta, o bulbo com a espata floral deve ficar voltada em direção ao nascer do sol, pois dessa forma as flores podem fazer o giro corretamente e abrir na posição certa, e alem disso facilitar a adaptação dessa nova planta no novo local. Os novos brotos dessa mesma orquídea nascerão na base do bulbo florido e  ficaram na melhor posição em relação ao sol aproveitando melhor a luz para crescer e se desenvolver. 
Quem cultiva orquídeas a mais tempo sabe que cada novo broto de uma orquídea é a esperança de ver flores no futuro, por isso leva a serio o desenvolvimento desse bulbo para que no fim do seu crescimento mostre toda a sua beleza com as flores!

O interessante no cultivo de orquídeas é que sempre vai nos encaminhar para  se aprofundar nos seus conhecimentos pois é um mundo vasto e prospero, alem de muito encantador!
Espero que tenham gostado do texto. Esse é o ultimo desse ano e quero aproveitar e agradecer a todos os leitores e as pessoas que me seguem nas redes sociais, sempre trazendo duvidas e conhecimentos dos mais variados a respeito de plantas e desejar que em 2018 todos tenham do que se orgulhar com suas orquideas ok!!!
Um grande abraço e até mais!!!









sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

HOFFMANNSEGGELLAS- DAS PEDRAS TAMBEM NASCEM FLORES!



Hoffmannseggella bradei
Quando iniciamos no cultivo de orquideas e começamos a aprender sobre essas belas plantas não conseguimos imaginar o tamanho desse mundo e a quantidade enorme de flores, cores, perfumes, que existem. 
Mais difícil ainda seria imaginar logo de cara que as orquídeas são plantas das mais rusticas e resistentes que existem! 
Pois bem para quem cultiva há mais tempo sabe que as orquídeas são compaveis aos cactos pela maneira como fazem a sua fotossíntese onde produzem seu próprio alimento e por esse motivo conseguem vegetar quase no planeta todo, mesmo em áreas desérticas com períodos de seca, apenas como exceção o frio intenso do Ártico que inibe o crescimento vegetal.
 Um grande exemplo dessa complexa resistência ao calor e a insolação direta são as plantas que ilustram esse texto, uma orquídea brasileira, mas com nome de estrangeira: hoffmannseggella, que é uma subdivisão do gênero Laelia, e que atualmente foi anexado ao gênero Cattleya. 

Hoffmannseggella guylanii flamea
É composto por aproximadamente 60 espécies conhecidas, todas aqui do Brasil, em habitats localizados em regiões montanhosas chegando até o cerrado nos estados de Minas Gerais, Espirito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, e também na Bahia.
 Entre todos os estados brasileiros, Minas Gerais se destaca como o mais extenso conjunto de terras elevadas do país e por esse motivo é o estado que concentra a maioria das espécies rupícolas de hoffmannseggella no Brasil.
 As espécies rupícolas habitam a parte mais alta das montanhas, em altitudes variáveis, acima dos 800 metros acima do nível do mar, e não só elas mas também centenas e centenas de outras espécies de orquídeas habitam toda essa região que divide o litoral do interior e por esse motivo acaba recebendo uma excelente umidade ambiente trazida pelos ventos que também vem do mar para o continente. 


Hoffmannseggella mixta
Em geral os ambientes onde as hoffmannseggelas vegetam são abertos e há pouca vegetação em volta onde o que predomina no solo são rochas e sedimentos, tornando esses locais impróprios para a maioria das plantas que conhecemos. Por esse motivo, orquídeas, bromélias,vellózias, cactos, entre outras espécies de plantas são as famílias botânicas que predominam nesses tipos de habitat havendo uma grande diversidade de espécies que juntas formam "ilhas de vegetação" sobre as pedras, dando a oportunidade até para que outras espécies se desenvolvam. 
Pelo modo como vegetam, essas orquídeas podem ser consideradas litofitas, saxícolas, rupícolas ou ainda rupestres, enfim, muitos nomes para dizer uma coisa só: plantas que vivem entre as rochas. O segredo para tal façanha pode ser visto ao final de cada dia quando o sol se põe e o ambiente se transforma com a queda da temperatura e um grande aumento da umidade ambiente com o orvalho que se forma no fim do dia e toma conta de tudo hidratando as plantas.
A separação dessas espécies de Laelia para a formação do novo Gênero hoffmannseggella teve como objetivo principal agrupar todas as espécies rupícolas facilitando a identificação do ponto de vista botânico. No meio orquidófilo elas são mais conhecidas mesmo como Laelias rupícolas ou Laelias Mineiras. Inclusive foi assim que as conheci! (Laelia se lê: Lélia).
Hoffmannseggella crispata
As características dessa variedade de espécies se dá exatamente pelo local de origem, onde se adaptaram a vegetar bem mesmo com uma maior variação térmica e extrema insolação. Por esse motivo podemos comparar as Hoffmannseggellas com os cactos pelo tipo do seu metabolismo e fotossíntese que é conhecido como CAM (metabolismo acido das Crassuláceas), altamente econômico para a planta e que permite a ela poder fazer as trocas gasosas da fotossíntese durante a noite com a abertura dos estômatos (glândulas das folhas) só no fim do dia, pois dessa maneira a perda de água é praticamente nula em relação ao que perderia de dia com calor.
Na parte vegetal as hoffmannseggella também possuem características especiais para facilitar a sua vida sobre as pedras. São plantas de pequeno porte possuindo rizoma curto e pseudobulbos cônicos, cilíndricos, normalmente com uma folha só de formato lanceolado com textura coriácea. 
Sophronitis cernua x Hoffmannseggella crispata
As folhas das espécies são grossas, duras e bastante inclinadas para diminuir a fotodegradação dos tecidos causada pela alta radiação. 
O crescimento delas é simpodial, mas bastante aglomerado o que dá o aspecto de touceira ou "tapete". 
Possui uma variação morfológica grande em função do habitat, podendo alterar muito o tamanho e a altura dos pseudobulbos conforme o local onde está fixada. Com a alta exposição ao sol, a formação de carotenoides para a proteção da clorofila aumenta gradativamente e tanto os bulbos como as folhas tendem a ficar amarelados e ou avermelhados, o que para mim é uma beleza a parte! 
Hoffmansseggella itambana
Mesmo com todos esses recursos para sobreviver o ciclo tende a ter épocas de maior calor e menor umidade e nos habitats podemos ver plantas com os bulbos traseiros secos e queimados. No meu cultivo isso não costuma acontecer pois consigo fornecer a umidade necessária conforme a época do ano equilibrando e evitando picos de estress hídrico nos exemplares da minha coleção. As raízes das hoffmannseggellas são capilares com velame grosso e muito mais tolerantes ao calor e a umidade do substrato do que espécies epífitas, sendo totalmente adaptada e especializada a se fixarem nas fendas das rochas ou entre o musgo sobre as rochas. Desse forma também conseguem proteger suas raízes do calor excessivo, se fixar e se alimentar da matéria orgânica que se acumula entre elas. 
Também é possível encontrar exemplares vegetando sobre as rochas ao invés das fendas, e mesmo sob alta temperatura, conseguem se proteger sem danificar suas raízes com o calor, pois costumam formar pequenas touceiras protegendo suas raízes.
Hoffmansseggella milerii
As flores das hoffmannseggellas são um show a parte nesse cenário cinza das pedras, chamando a atenção de polinizadores facilmente.
Com hastes florais longas, em cachos podendo chegar até 50cm de altura em relação a altura da planta com as flores se abrindo sucessivamente sustentando de uma até mais de oito flores. 
O tamanho das flores também é variável, ficando entre 2 e 7cm de diâmetro de formato estrelado. As pétalas e sépalas tem o mesmo tamanho e formato com cores vibrantes como amarelo, vermelho, laranja, lilás e branco causando um enorme contraste no habitat na época de floração. O labelo da flor costuma ser franjeado e da mesma cor das pétalas e sépalas, mas podendo também mesclar tonalidades de cores, linhas e pinceladas com cores diferentes que chamam muito a atenção e indicam o caminho aos polinizadores.
Potinara Hoku Gem- Planta 
hibrida, neta 
da hoffmannseggella milerii!

    







Alem das espécies existem também os híbridos formados em cruzamentos com essas pequeninas, pois as hoffmanseggellas possuem qualidades interessantes que podem ser passados nos cruzamentos. 



















Hofmannseggella guylanii var. flamea





Com todo esses atrativos cada vez mais vemos coleções dessas jóias da natureza, pois em locais pequenos conseguimos cultivar vários exemplares sem se preocupar com o calor e a luz excessiva que prejudicariam outras espécies de orquídea.
Para mim o que mais chamou a atenção nelas desde o inicio foi o fato de terem esse porte de "miniorquidea" com flores de cores vivas e com a forma estrelada! Pude conhecer essas beldades em uma exposição de orquídeas em Vinhedo-SP, no estande de um dos orquidários que estavam comercializando plantas, e ai perguntando sobre o cultivo fui informado que era bem simples, apenas necessitando sol praticamente pleno, adubação orgânica e regas praticamente diárias também, e ao final do dia. Eu moro no oeste do estado de São Paulo, quase divisa com o sul do estado de Minas, com altitude de 600 metros acima do nível do mar,  e aqui o clima é propicio ao cultivo delas, onde temos até 40 graus de calor no verão e um bom frio no inverno. Essas características de clima exigem um cultivo buscando um equilíbrio desses fatores para que se tenha qualidade no cultivo. No meu caso aqui especificamente consigo isso com uma adubação que ajuda a planta a vegetar com qualidade nessas condições adversas e com regas constantes incluindo todo o ambiente a volta das orquídeas que é repleto de outras plantas para equilibrar a umidade e a temperatura/ventilação.



Agora o passo a passo que faço na hora do plantio das hoffmansseggellas: 



-Estas duas plantas nas fotos ao lado que vou replantar em um vaso maior de boca mais larga.
-Eu uso um substrato misto de pedrisco comprado em gardens, carvão vegetal novo e picado e casca de pinus picada também.

- E ainda acrescento dez por cento de humus de minhoca na mistura.

 -Vaso plastico boca larga. 

-Nas fotos ao lado, as duas plantas que estou replantando.




























 Preparando o substrato: 
-Apesar de ser indicado para as hoffmansseggellas, tambem pode servir para qualquer espécie de orquidea epifita tambem, só que sem acrescentar o humus de minhoca que uso exclusivamente em espécies rupicolas!
-Usando o substrato dessa forma consigo fazer regas constantes sem prejudicar a aeração das raizes!


Pedrisco 50%

Casca de pinus + carvão vegetal- 40%
Humus de minhoca- 10%










Misturando bem cada item em um recipiente limpo!







 



-Depois de bem misturado pegue o vaso e faça uma camada só de pedra no fundo para ficar de dreno. 







-Coloque um pouco da mistura do substrato.








-Retire a planta do vaso sem mexer em suas raizes, pois não ha nenhuma necessidade de limpa-las ou lava-las antes de replantar. Fazer isso pode prejudicar a planta.




 -Acomode a planta o mais centralizado, pois ela costuma ter muitas frentes e crescer em varias direções, sempre se guiando pelo sol.
-Complete em volta com mais substrato e pronto! A pedra fixa a planta que com o tempo enraiza melhor no novo vaso.









 Em seguida ao replante eu faço um "mergulho" com a planta usando um adubo completo, com tudo que a planta precisa de minerais alem de outras substancias muito benéficas e que facilitam demais o meu cultivo.
Quem quiser experimentar entre no site: www.agrooceanica.com.br

Se voce já usa algum outro adubo tambem pode e deve usar os adubos da agrooceanica pois eles alem de nutrir melhoram a capacidade da planta em se alimentar no ambiente aproveitando muito mais outra adubação intercalada com eles. 

Alem de assentar o substrato travando a planta definitivamente, o mergulho nessa agua diluida com adubo acelera a "pega" da planta no novo vaso alem de enriquecer o substrato com minerais essenciais as orquideas!! Experimente e depois me diga o que acha!















Bora formar uma coleção como eu??   um grande abraço a todos!!!!

domingo, 19 de março de 2017

AS 10 DICAS INFALIVEIS PARA CUIDAR DE QUALQUER ORQUIDEA

Cattleya Pão de Açucar- Hibrido obtido do
cruzamento entre espécies de cattleya.
Uma orquidea que consegue se  adaptar
mais facilmente pois tem em seu DNA
a herança genetica de seus progenitores. 
A grande dificuldade no cultivo de orquídeas é basicamente falta de informação, ou pior que isso a informação errada! No inicio com a vontade de ver a planta florindo ou crescendo rapidamente queremos acertar no cultivo, mas se erramos na maioria das vezes podemos perder a planta de vez ou deixa-la anos e anos tentando se recuperar da nossa própria barbeiragem. Isso é um cenário muito ruim e para evitar isso podemos seguir dicas simples que vão ajudar a manter as plantas saudáveis e florindo todos os anos trazendo alegria e beleza para nossa casa.
Abaixo fiz uma lista com 10 dicas infalíveis para você cuidar de sua planta sem prejudica-la:





Phalaenopsis- de fácil cultivo aqui no Brasil,
  pois é de clima tropical, exige um 
sombreamento diferenciado e uma boa 
ventilação. O vaso mais usado é
o plastico transparente desenvolvido 

especialmente para elas pois suas raízes 
ajudam na fotossíntese!
Dica-1- Conheça a espécie que esta levando para casa!


Quando adquirimos uma orquídea não procuramos saber é se ela tem nome, mas saber o nome da planta é o que vai facilitar na hora de buscar informações sobre ela. Como no mundo todo existe uma infinidade de espécies e híbridos de orquídeas é natural que existam diferenças no cultivo delas também.
Algumas plantas gostam de mais luz, outras de mais sombra, enquanto outras preferem mais umidade e ainda existem aquelas que necessitam de maior ventilação.
Todas essas necessidades vem basicamente do clima da região de onde aquela planta é originaria ou no caso de uma planta hibrida, passada pelos pais no cruzamento. 
Quando passamos a saber mais sobre de onde vem a planta podemos tentar reproduzir isso em nossa casa tornando o cultivo mais fácil e prazeroso!





Epidendrum latilabre vegetando em ambiente
natural, mostrando exuberante floração e 

saúde acima de tudo, pois no meio em que
 vive consegue todos os recursos que precisa.
Dica-2- Aprenda a aclimatar sua orquídea!


 Quando adquirimos uma orquídea e levamos para casa, primeiro ela vai se adaptar, pois são plantas dependentes do ambiente e de três fatores básicos encontrados nele: VENTILAÇÃO, ILUMINAÇÃO, UMIDADE AMBIENTE. 
Com essa informação fica mais fácil "socializar" essa nova planta na sua "nova casa" se respeitar esse tempo de adaptação que a planta necessita.
É um período em que ela regula a luz que recebe nas folhas e orienta sua direção de crescimento entre outras coisas. Se alem dessa você possui mais plantas por precaução seria indicado deixar essa nova planta separada das demais durante algum tempo, como num período de quarentena ou até que você perceba se ela não possui nenhuma doença ou ainda se no substrato do vaso existam inseto nocivo as orquídeas como caracóis e lesmas. 
O normal de qualquer planta é "sentir" um minimo de estress nessa nova mudança, podendo desidratar levemente os bulbos, mas se as folhas apresentarem desidratação poderá estar acontecendo um problema nas raízes. 
O ideal no começo é tomar muito cuidado com a rega dessa nova orquídea e com excesso de umidade do substrato, pois é fatal para apodrecer as raízes e abaixar o PH tornando-o acido rapidamente e favorecendo a proliferação de fungos.
 Prefira deixar sua nova orquídea em local fresco e arejado e que não tenha temperaturas extremas nem oscilações bruscas de temperatura e no caso das plantas adquiridas com flor o ideal é que deixe-as primeiramente enfeitando o ambiente de sua casa com pouquíssimas e esporádicas regas até as flores murcharem primeiro antes de coloca-la no cultivo com as outras.
  




Phalaenopsis- De crescimento monopodial a
planta só necessita de replante quando o
substrato estiver saturado, o que leva em
media até dois anos. Este exemplar da foto
já tinha começado a perder suas raízes por 

apodrecimento porque passou da hora do 
replante e o substrato em estado de 
deterioração e com o PH muito acido 
acelerava esse processo. 
Dica-3- Saiba a hora certa de replantar!


Se alguém disse a você para replantar sua orquídea recém adquirida não leve isso ao pé da letra e saia arrancando ela do vaso... Tudo que envolve uma orquídea ou qualquer outra planta necessita avaliação exclusiva de quem cultiva e muita paciência e observação, pois são seres vivos e mexer antes da hora pode causar um estress maior alem do que ela já tem quando chega a um novo ambiente de sua casa. 
Normalmente um novo replantio deve ser feito sempre no inicio do crescimento ou porque o substrato chegou ao limite da durabilidade e esta começando a prejudicar a planta ou porque a planta já esta grande e "saindo fora do vaso".
  As espécie de crescimento monopodial, que crescem apenas para cima, como a espécie phalaenopsis, o replante só acontece quando o substrato fica velho e com o PH muito baixo( cheiro forte de matéria decompondo e substrato esfarelando na mão são sinais de deterioração.)
Toda espécie de orquídea vegeta em etapas ou ciclos, onde o inicio é a brotação de novas folhas, bulbos e raízes. O final do ciclo vem com a floração e a dormência, que é um período onde a planta se recupera da floração e se prepara reunindo energia para iniciar o novo ciclo.O tempo de cada ciclo pode ser definido como um ano em media e melhor momento desse período para replantar uma orquídea é sempre no inicio do ciclo onde a planta estará com o crescimento dos novos bulbos e raízes a pleno vapor, conseguindo dessa forma enraizar rápido no novo substrato. 
Cattleya warnerii- Prefere umidade acima 
de 60% e seu replante pode ser feito quando 
o exemplar estiver no inicio de novos 
brotos e raizes. Dessa forma a planta poderá 
enraizar no novo vaso mais rapidamente
Mexer antes ou depois da hora normalmente não traz um bom resultado. Como na orquidofilia nada é absoluto é sempre necessário criar o bom senso no cultivo, afinal estamos lidando com plantas que são seres vivos e que também sentem as mudanças do ambiente e do que fazemos com elas. 
Aprenda que há casos e casos onde quem cultiva é que deve avaliar usando as informações que conseguir sobre a planta adquirida.
 Como regra geral para fazer um replante numa nova orquídea adquirida devemos esperar um minimo de tempo de adaptação da planta na nossa casa apos o primeiro mês e se a planta estiver mostrando sinais de  atividade como um novo broto ou raízes novas. É preciso ter em mente que na natureza tudo é relativo por isso não se pode levar em consideração o absoluto e no cultivo de orquídea a observação é chave para saber o que a planta necessita e qual a hora de replantar.



Vanda sanderiana- este tipo de orquidea possui
pouca reserva de água sendo necessário no
minimo duas regas diárias, Suas raízes
crescem de forma aérea e se não houver
umidade no ambiente a planta não
prospera!
Dica-4-Muita atenção as regas!


Já me dizia um antigo amigo orquidófilo: "regar uma orquídea é uma arte pois nesse momento brincamos de ser a natureza".  Dada a importância que a água tem nas funções da planta sempre procurei definir a minha rega pelo ambiente que tenho aqui para elas. Um dos erros mais comuns é deixar de fornecer a umidade necessária as orquídeas, por isso primeiro a gente deve aprender qual a necessidade real que uma planta tem de água e depois baseado nisso definir a periodicidade das regas.
Se o Hobby for aumentando é possível montar um sistema de rega com canos de pvc comum e aspersores, obtendo mais qualidade, homogeneidade e exatidão nas regas que é fundamental para manter a hidratação das plantas e a manutenção da umidade no ambiente diminuindo as oscilações muito grandes de temperatura. Usando a criatividade também é possível ter uma fonte ou um pequeno lago próximo as plantas deixando seu cantinho com cara de beira de rio, onde a umidade noturna faz toda a diferença na hidratação das plantas!




Uma fonte, ou mesmo um pequeno lago favorece 
demais o cultivo de orquídeas pois 
principalmente a noite a umidade gerada 
pela água próxima ajuda a reidratar as plantas. 
Se você possui espaço e criatividade 
pode criar seu pequeno oásis particular!
Dica-5- Crie o ambiente ideal para as orquídeas!


 A umidade no ar para uma orquídea vegetar bem é acima de 50%, e se chegar a estar abaixo de 30% as plantas poderão se desidratar rapidamente, o que aliás também ocorre conosco,  por isso a umidade do ar deve ser levada a serio no cultivo das orquídeas. Apesar de não conseguir enxergar a umidade no ar, é ela  que vai fazer toda a diferença na beleza e na saúde das plantas.
 A maioria dos habitats de floresta são locais onde existe bastante umidade noturna que começa com o sereno no fim do dia e vai até o orvalho da manhã quando o sol nasce novamente. É tanta água disponível que as plantas mais rentes ao chão ficam molhadas mesmo sem ter chovido, então se o ambiente que você tem na sua casa é muito seco, não adianta apenas jogar a água porque o excesso de regas também retira uma parte dos nutrientes da planta "lavando" o substrato e causando outros problemas com o passar do tempo.
Para acertar a umidade ambiente para se cultivar orquídeas em casa, devemos tentar imitar a natureza. No meu orquidário por exemplo, possuo vasos com outros tipos de plantas como folhagens e bromélias no chão em volta de onde tenho as orquídeas mantendo uma umidade interna do orquidário por mais tempo. Mesmo que eu não molhe os vasos das orquídeas, eu costumo molhar os vasos colocados no chão, pois dessa forma a umidade permanece durante a noite e só vai evaporar no dia seguinte com o aumento da temperatura. Acima das orquídeas, utilizo o sombrite que diminui a intensidade de luz e a temperatura interna do orquidário. 
O meu orquidário fica na lateral da casa, de um lado
 em bancadas e do outro penduradas. a terra abaixo
mantenho molhada pois rego todos os dias.
Isso garante uma boa umidade noturna para as plantas.
As minhas orquídeas ficam colocadas em bancadas e também penduradas simulando como vivem na floresta fixadas nas arvores.
 Dessa forma consigo simular um pequeno pedaço da floresta na minha casa e você também pode fazer isso na sua.
Existem outras maneiras de aumentar a umidade relativa do ar, como por exemplo uma pequena fonte ou lago artificial próximo as plantas. enfim utilize a criatividade e pratique a observação do meio natural, e crie seu oásis particular!



O espaçamento entre os vasos é importante para favorecer
uma boa ventilação, fator crucial para favorecer a saúde
das plantas dificultando inclusive o ataque de pragas.
Dica-6- Evite aglomerações de plantas!


 Apesar de ser benéfico para a umidade ambiente ter uma boa concentração de plantas em seu orquidário, jamais deixe essas plantas muito juntas. É necessário haver um minimo espaçamento entre os vasos tanto os pendurados como os que ficam em bancadas porque pode comprometer a ventilação do ambiente e isso traz consequências desastrosas. A aglomeração de plantas com os vasos encostados uns nos outros também pode acarretar problemas com insetos nocivos que aproveitam a minima distancia para se locomoverem melhor e também se esconder melhor. Alem disso se houver plantas atacadas por fungos a aglomeração dos vasos vai facilitar a contaminação nas plantas próximas com a disseminação de esporos(sementes do fungo) que se espalham para as folhas das outras plantas e depois germinam causando as terríveis pintas pretas.Evite também ao máximo deixar as plantas no chão pois alem do problema de ventilação insuficiente o risco de ataques por fungos e insetos é maior. Os fungos do solo são os mais agressivos e perigosos para as orquídeas. O ideal é manter as plantas num minimo de um metro do chão e com um espaçamento razoável entre os vasos para que não encostem um no outro.



Uma joaninha pode comer até 50 pulgões por dia!
Este é um exemplo de um ótimo aliado das orquídeas! .
Se você usa venenos para matar as pragas também
 mata seus predadores. Uma infestação de qualquer
praga primeiro indica deficiência no ambiente
e no cultivo.
Dica-7- tenha um controle de pragas preventivo e natural!




Atualmente com a quantidade de grupos de assuntos relacionados as orquídeas que existem nas redes sociais a propagação de informações sobre maneiras caseiras de se lidar com insetos nocivos e fungos aumentou muito. Acredito que muitas pessoas como eu aprenderam boas dicas de combate as pragas e doenças sem a necessidade de usar venenos, usando apenas receitas caseiras com pimenta, alho, canela, e produtos naturais como o óleo de neem e uma gama de outros produtos repelentes e inseticidas naturais  que não trazem risco as plantas, nem animais, nem nós humanos, e são muito eficientes! 
www.agrooceanica.com.br
Orquídeas são plantas muito resistentes, mas fora de uma floresta pode ficar vulneráveis se o ambiente for ruim. O grande risco real para que uma planta seja atacada por uma praga ou contaminada por um fungo é estar em ambiente inadequado. 
Alem disso quando vamos cultivar muitas plantas juntas devemos seguir alguns procedimentos para prevenir a propagação de fungos e insetos nocivos entre as plantas nesse ambiente. Sempre mantendo uma boa higiene em vasos, substratos e instrumentos de corte, esterilizando tudo antes de usar em uma orquídea. 
Muita atenção a limpeza das mãos antes de tocar nas plantas, pois nós somos os grandes vetores de fungos, vírus e bactérias.
Fatores como excesso de umidade nas raízes, sombreamento excessivo, desnutrição ou ainda falta de ventilação e luz para a fotossíntese são grandes vilões para as orquídeas atraindo variados problemas que sempre vão insistir em aparecer independente do que usa para combater e prevenir. Observar e perceber o que realmente desencadeia as situação consideradas ruins para as orquídeas e corrigir é fundamental para evitar que isso aconteça e o grande segredo de se cultivar orquideas.  As praticas menos invasivas e simples são as que dão mais resultado e  mais fáceis com certeza. Num dos meus textos sobre prevenção a pragas e doenças explico de maneira simples que é possível ter qualidade no cultivo e evitar problemas maiores com insetos nocivos, apenas seguindo procedimento que evitem o contagio de fungos e a propagação de insetos nocivos entre as plantas.



Para ter uma floração exuberante é necessário um ambiente
adequado e uma nutrição balanceada e constante. Uma
orquídea precisa receber todos os nutrientes em quantidades
balanceadas, pois utiliza os nutrientes em combinações
químicas para gerar energia para crescer e florir. A falta
de qualquer nutriente pode ocasionar uma dificuldade de
absorção de outros pela planta.
Dica-8-Alimente suas plantas!


Todo ser vivo precisa de alimento e as plantas que cultivamos em casa também. Antes de ser adquirida toda orquídea recebe sua nutrição para poder crescer, florir e ficar atrativa para ser vendida, e se não receber mais os nutrientes que estava acostumada vai se desenvolver mais lentamente e sem o mesmo vigor, alem de ficar vulnerável a pragas e doenças. 
Os nutrientes minerais essenciais para uma orquídea são 13 divididos em macro e micronutrientes: Nitrogênio, fosforo, potássio( NPK). cálcio, magnésio, enxofre são os macronutrientes e  boro, manganês,ferro, molibdênio, zinco, cobre e cloro são os micronutrientes. O ar, a água e a luz são responsáveis por fornecer a uma planta oxigênio, hidrogênio e carbono que compõe 90% da composição vegetal e os outros 10% são os minerais que fornecemos através da adubação. Se a planta não receber os nutrientes minerais terá dificuldades de florescer e também de crescer plenamente. Atualmente existem adubos químicos, orgânicos e organominerais que são usados para fornecer esses minerais as plantas. Antes de decidir qual adubo usar é preciso saber como ele nutre a planta e se vai conseguir fornecer tudo que ela precisa. Todo nutriente mineral é fundamental, mesmo aqueles que a planta necessita em menor quantidade. 
O uso de variados tipos de adubos com formulações parecidas com o passar do tempo causam um efeito contrario nas plantas, como por exemplo flores defeituosas e brotos mal formados. 
Como as orquídeas possuem reservas, uma deficiência pode demorar a se apresentar se você não forneceu os nutrientes de forma correta para as plantas.

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O grande segredo na adubação é entender que na nutrição das plantas os excessos são prejudiciais e as faltas também. Equilibrar é fundamental.
O uso de vitaminas, como a tiamina(complexo B) por exemplo, é indicado para tentar ajudar a planta a enraizar e brotar novamente e seu uso não serve como nutrição pois com o tempo também acaba causando um efeito contrario na planta que deixa de sintetizar as substancias que precisa podendo entrar em colapso. 
Uma orquídea consegue sintetizar qualquer substancia que necessite para emitir raízes e brotos com ótima saúde e com suas defesas em dia se receber todos os nutrientes que necessita. Para quem tiver curiosidade em conhecer o tipo de alimentação que dou para minhas plantas entre no site da agrooceanica:(www.agrooceanica.com.br ) e experimente os adubos da linha aminopeixe, pois facilitam a vida de quem cultiva como hobby. É um fertilizante solúvel em água com ótima diluição e alem de nutrir a planta ainda faz com que se desenvolva melhor mesmo sob condições adversas.
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Com a escolha correta de vaso e substrato
 para o ambiente que você tem na sua
 casa, as plantas respondem com
muitas raízes, o que confere saúde
e força para sustentar as flores!
Dica-9- Aprenda a escolher corretamente vasos e substratos para o cultivo na sua casa!!

Antigamente não se conhecia mais opções de substratos para o cultivo de orquídeas pois se dependia quase que exclusivamente do xaxim que hoje corre risco de extinção e não pode ser mais comercializado. 
Isso fez com que novos materiais fossem sendo testados, principalmente os de descarte da agroindústria como a casca de macadâmia e o chips de coco. A finalidade do substrato é servir de apoio a planta de maneira que as raízes possam se fixar e permanecer firmes sem compactação, alem de reter umidade permitindo a circulação de ar e a retenção de nutrientes provenientes da adubação. 
Hoje em dia a opção tanto de tipos de vasos para cultivo como também de substratos facilitou e muito o cultivo de orquídea em qualquer parte do nosso país. Dependendo da região e do clima podemos escolher usar um substrato que acumule mais umidade ou não. O segredo dessa escolha é conhecer as necessidades das plantas que você tem em casa e também as particularidades do clima da sua região e relação a umidade ambiente.  Quando temos uma boa quantidade de plantas utilizar o mesmo tipo de vaso e substrato ajuda na definição das regas pois o tempo de secagem acaba sendo igual para todos os vasos. Como existem muitas espécies de orquídeas talvez essa não seja uma tarefa fácil, mas com o tempo e criatividade é possível encontrar soluções para isso. 
No cultivo de phalaenopsis utilizo o mesmo tipo de vaso
 e substrato para todas facilitando a rega,
pois a secagem é igual para todos os vasos.
Quanto mais homogêneo for o seu cultivo, mais fácil para você cuidar  das plantas. Normalmente quando iniciamos no cultivo de orquídeas costumamos sair adquirindo mais pela beleza da planta e flores do que por suas particularidades de cultivo, como por exemplo o clima de origem que o exemplar está acostumado a vegetar. Isso pode atrapalhar a adaptação da planta e fazer com que vá definhando aos poucos confundindo o cultivador e dando a impressão que a planta é frágil. ( Isso não é verdade, pois se nos fossemos colocados num local onde não sobreviveríamos, morreríamos antes que uma orquídea!). Uma espécie de orquídea pode resistir por meses e até por anos em um ambiente ruim e é preciso estar atento para perceber isso e corrigir antes que seja tarde e a planta morra.  
Nesta foto a floração das orquídeas de um amigo que cultiva
plantas da mesma espécie(Cattleya percivaliana). A
vantagem desse cultivo é obter mais qualidade e conseguir
fornecer exatamente o que a espécie está  acostumada
em termos de clima e habitat. Como desvantagem
a floração ocorrendo apenas em uma época do ano,
mas como vantagem a qualidade das plantas se supera
ano a ano!
Eu por exemplo cultivo espécies variadas de clima tropical e prefiro usar o vaso cerâmico para quase todas. O que muda para algumas espécies mais exigentes, é o uso de tronquinhos e cascas de madeira tornando o cultivo mais natural. Para aquelas que preferem mais umidade nas raízes utilizo o vaso plastico e separo dentro do orquidário para facilitar a rega.
 Para não ter problemas com a secagem do substrato utilizo o mesmo para todas diferenciando nos vasos plastico onde uso o pedrisco de rio e o dreno no fundo do vaso para melhorar a aeração interna. Faço furos nas laterias dos vasos plásticos também aumentando a aeração das raizes para algumas plantas. 
Tenha em mente que na orquidofilia nada é absoluto, e o sucesso do cultivo vai depender da sua observação e conhecimento sobre as suas plantas.





Este tipo de recipiente chamado de pau de
 barro acumula água na parte interna e essa
umidade passa através da cerâmica
mantendo as raízes úmidas sem encharcar,

ideal para microorquideas que exigem
excelente umidade no cultivo.
Dica-10- Cuidado com os excessos!

As orquídeas são plantas perenes, que vegetam lentamente ao longo de um ano inteiro para poder florir e por esse motivo qualquer erro pode custar meses, anos e até mesmo não ter volta e o exemplar morrer.
 Uma orquídea vegeta no mesmo sistema que os cactos vegetam, pois dessa forma podem economizar seus recursos garantindo sua vida mesmo em épocas de estiagem.
Naturalmente não existe uma maneira de acelerar esses processos fisiológicos das plantas a não ser praticando um cultivo correto fornecendo tudo o que ela precisa em um ambiente com clima adaptado para elas. Caso o ambiente de cultivo seja inadequado as orquídeas terão mais dificuldade em conseguir recursos e vão vegetar mais devagar ainda. Tentar acelerar esses processos na planta, na maioria das vezes não acaba bem. Ou a planta fica debilitada ou desregulada ou na pior das hipóteses a planta morre. Cuidado com receitas mirabolantes pois uma orquídea é um ser vivo e pode ser prejudicado por você se não houver critério nem conhecimento sobre o resultado do que está fazendo.
No inicio qualquer pessoa que se encanta pelas orquídeas deve prestar atenção a sua própria ansiedade porque é o que mais prejudica as plantas. Mexer antes da hora pode ser mais prejudicial do que não fazer nada. Quando adquirimos uma nova planta na maioria das vezes ela está enraizada e adaptada ao vaso e substrato em que veio e não tem necessidade de ser replantada imediatamente. O que a maioria das pessoas se esquecem ou não sabem é que uma orquídea depois de ser tirada de um ambiente (floricultura por exemplo) e levada para outro, primeiro vai precisar se adaptar a esse novo local para depois estar apta a ser replantada ou dividida. Saber observar os detalhes como a saúde das raízes e folhas e também se a planta carrega pragas ou doenças antes de finalizar a compra é o minimo que podemos fazer para evitar ter problemas com uma orquídea depois que levamos ela para casa. 
Orquídea é um ser vivo como nos, mas com necessidades diferentes. O mesmo que detestamos para nos também pode ser ruim para uma planta, pense nisso antes de sair mexendo na planta na hora errada e sem tomar as devidas precauções como esterilizar os instrumentos de uso e corte.




Potinara Hoku Gem- Hibrido formado por quatro
espécies de orquídea, de cultivo fácil  tolera luz intensa
 e floresce mais de uma vez por ano! 
Estas dicas e praticas podem ser adotadas para minimizar os erros no cultivo e ajudar a entender  as necessidades reais que uma orquídea tem para poder vegetar com saúde e proporcionar muitas flores! As orquídeas são plantas que quando entram na vida de uma pessoa tem a capacidade de mostrar sempre de forma positiva como é possível sermos cada vez mais otimistas em relação a vida, sabendo respeitar cada período dela e aproveitando o que ela tem de melhor sem desistir dos nossos sonhos e aprendendo a conviver em sociedade de forma ativa e feliz! Um grande abraço a todos e muitas flores!!!
                                                            Lucio Ximenes